sexta-feira, Abril 25

Texto livre: 25 de Abril

O caminho para a democracia


Se os nossos antecessores não tivessem realizado um acto fundamental para Portugal no dia 25 de Abril de 1974, com toda a certeza viveríamos com imensas dificuldades, ou pior. Como estamos a aproximarmo-nos do “Dia da Liberdade”, decidi escrever o meu texto livre sobre este acontecimento. Alguém sabe o que aconteceu nesta data? E o que terá levado os militares a planear esta revolução?
Vamos então conhecer alguns antecedentes da “Revolução dos Cravos”.
O “Estado Novo” teve início em 1933, quando António de Oliveira Salazar passou a ser o Chefe do Governo. Este conseguiu uma política de desenvolvimento do país, fê-lo, no entanto, à custa das restrições à liberdade da população e à perda de regalias que já tinham sido adquiridas. Salazar governou o país de uma forma autoritária, sendo ele quem decidia tudo. Governou, pois, em ditadura.
Durante os anos da ditadura existia um único partido político autorizado, a União Nacional. Não havia liberdade de expressão, tendo sido criada uma comissão chamada “Censura Prévia”, que tinha a função de impedir que fosse publicado tudo o que pudesse prejudicar o regime. Criou-se a PIDE, (Policia Internacional de Defesa do Estado) que era uma polícia política que perseguia todos os que se manifestassem contra as ideias do governo.
Após a 2ª Guerra Mundial muitos países deram a independência às suas colónias em África. Portugal recusou-se, no entanto, a fazê-lo nas suas colónias, levando à revolta dos povos africanos contra a ocupação portuguesa. Isto deu origem a uma guerra colonial que se estendeu por longos treze anos, levando ao sofrimento e à morte e de muitos jovens portugueses.
Em 1968, Salazar abandona o governo por incapacidade, e sucede-lhe Marcello Caetano como Presidente do Conselho de Ministros (o que actualmente tem o nome de Primeiro Ministro), no entanto, pouco mudou, mantendo-se a política do governo salazarista.
Em Portugal havia muita insatisfação devido à falta de liberdade. Muita gente foi presa por manifestar a sua opinião, outros foram obrigados a emigrar para melhorar as suas condições de vida, ou para não serem presos. A guerra em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau aumentava. Os anos iam passando e a guerra colonial parecia não ter fim. As famílias Portuguesas viam os seus filhos partirem para a guerra, sem saber se algum dia voltariam!
O cansaço e o descontentamento levou os militares a fazerem reuniões secretas das quais surgiu a ideia de um golpe militar em 16 de Abril de 1974. Este, no entanto, correu mal e os militares que nele participaram acabaram por ser presos. Os amigos dos detidos pensaram salvá-los, mas sem serem presos. Daí terem preparado o golpe de estado que ocorreria no dia 25 de Abril de 1974. Tudo tinha que ser muito bem preparado, pois desta vez não poderiam falhar.
No dia 24 de Abril, o Capitão Otelo Saraiva de Carvalho, acompanhado de outros oficiais, instalaram o posto de comando no Regimento de Engenharia Nº1, na Pontinha e preparam o plano geral das operações. Dali deram as instruções às unidades militares de todo o país envolvidas nas operações. O primeiro sinal, como combinado, seria dado pela rádio às 22:55 pela canção «E Depois do Adeus», de Paulo de Carvalho. A segunda senha foi dada na Rádio Renascença, com uma canção de Zeca Afonso, «Grândola Vila Morena», pela meia-noite e vinte. Esse era o sinal para as forças envolvidas se porem em movimento.
Era muito importante controlar os órgãos de comunicação social. Foi tomada a RTP (única emissora televisiva da época) a Emissora Nacional (actual RDP), Rádio Clube Português... Foi através desta estação de rádio que o MFA (Movimento das Forças Armadas) se apresentou ao país pela 1ª vez às 4:26. A programação foi alterada, passando a ouvir-se o hino nacional, marchas militares e canções de protesto e de contestação. Sucediam-se os comunicados escritos. Mediante esta situação os ouvintes iam ficando a par do desenrolar dos acontecimentos.
A missão principal coube, no entanto, ao capitão Salgueiro Maia e aos seus homens da Escola Prática de Cavalaria, vindos de Santarém. Estes ficaram encarregues de dispersar as forças partidárias do regime, de controlar o Banco de Portugal, a Rádio Marconi e o Terreiro do Paço.
A coluna comandada por Salgueiro Maia foi interceptada por tropas fieis ao regime e foi o próprio capitão quem avançou para tentar dialogar com os opositores. Saiu a pé, de lenço branco hasteado numa mão e uma granada escondida na outra. O brigadeiro opositor deu ordens para disparar mas ninguém lhe obedece, acabando os soldados por se passar para o lado de Salgueiro Maia.
Outro momento muito importante deu-se por volta das 5 horas, quando o director-geral da PIDE deu a conhecer a Marcello Caetano o que estava a acontecer, referindo que a situação era grave e dando-lhe instruções para se refugiar no Comando-Geral da GNR, no Largo do Carmo. Ao saber da sua entrada no quartel, Otelo deu ordens para Salgueiro Maia cercar o local para que ninguém fugisse. Marcello Caetano, permaneceu longas horas encurralado no Quartel do Carmo com tanques de guerra apontados ao edifício.
No Largo do Carmo uma multidão crescente parecia ter acordado dum sono profundo. Parecia ter descoberto nesse dia o valor da democracia e da liberdade… Gritavam palavras de ordem contra a ditadura e a guerra colonial. Nesse dia o povo ouviu coisas novas e ficou a saber em que tipo de regime político vivia, aderindo, por isso, de imediato ao Movimento das Forças Armadas. Nas ruas, civis e militares, mostravam o seu contentamento. Naquele dia as armas dos soldados não disparam, pois dos canos das espingardas saíam cravos vermelhos, não balas!
As horas foram passando. Verificando que não tinha outra solução, Marcello Caetano rendeu-se ao General Spínola, acabando por abandonar o Quartel do Carmo num tanque de guerra. Marcello Caetano, juntamente com o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, e outras figuras importantes do regime, partiram para o Funchal no dia seguinte.
Por todo o país, uma multidão eufórica celebrava, finalmente a “Liberdade”.
O Posto de Comando do MFA emitiu um comunicado informando que se concretizara a queda do Governo. No dia 26 de Abril apareceram na televisão as novas caras do poder. Os presos políticos sairam em liberdade. A partir de então, muita gente exilada pôde regressar ao seu país, sabendo que poderiam, finalmente, dizer o que lhes ia na alma, sem receio. Vivia-se num novo regime onde reinava a paz e a democracia.

Luís Miguel Páscoa Teixeira, nº 10, 6º C